GUIlherme
Moura
Fagundes
Antropólogo e realizador audiovisual
Quem sou
Sou antropólogo, realizador audiovisual e professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo. Coordeno o CHAMA — Coletivo de Antropologia, Ambiente e Biotecnodiversidade — e o projeto RESPIRO: Restaurando a Pirodiversidade do Cerrado, desenvolvido no âmbito do Programa Jovem Pesquisador FAPESP/BIOTA, processo 2025/01710-9.
Minha pesquisa se situa nas interfaces entre antropologia da técnica, antropologia da vida, antropologia ambiental e estudos sociais da ciência e tecnologia. Trabalho com uma abordagem sistêmica, multimodal e colaborativa para investigar fenômenos como agrobiodiversidade, tecnodiversidade e pirodiversidade.
Nos últimos anos, tenho me dedicado ao estudo das transformações nos regimes de fogo, dos incêndios florestais e da retomada de saberes e práticas indígenas, quilombolas e tradicionais de queima no Brasil e em perspectiva planetária. No Cerrado, desenvolvo pesquisas e peças audiovisuais junto a comunidades quilombolas, brigadistas e gestores de Unidades de Conservação. Meu interesse central é compreender como sistemas agroextrativistas tradicionais e técnicas historicamente criminalizadas de uso do fogo podem contribuir para superar a fratura entre restauração ecológica e reparação histórica nas políticas de conservação ambiental.
PPGAS · FFLCH · USP
Brazil LAB · Dep. of Anthropology
LACT · DAN · PNPD · CAPES
EHESS · Paris
UnB · CNPq
UnB · CNPq
UnB · PET · MEC · IC CNPq
Projetos em Curso
Elaborado no âmbito do Programa BIOTA Descoberta, o projeto RESPIRO objetiva preencher as lacunas no entendimento sobre o papel dos povos e comunidades tradicionais para a promoção da pirodiversidade antropogênica do Cerrado, visando contribuir para a restauração de regimes de fogo sustentáveis para o bioma. Nosso foco se direciona a três patrimônios da pirodiversidade cerratense: o capim-dourado do Jalapão (TO), as flores sempre-vivas da Serra do Espinhaço (MG) e o queijo tradicional da Serra da Canastra (MG). Articulamos etnografia das queimas agroextrativistas e das queimas prescritas com dados paleoecológicos e arqueológicos, tratamento de séries históricas de imagens de satélite e estratégias de coprodução de conhecimento, por meio de ferramentas audiovisuais. Além de consolidar uma abordagem sistêmica para o entendimento dos mecanismos que promovem a pirodiversidade do Cerrado, superando as fronteiras naturalistas e culturalistas do conhecimento sobre os regimes de fogo, o principal resultado esperado pelo projeto é a publicação do PiroAtlas, uma plataforma digital, hipermídia, bilíngue e georreferenciada dos patrimônios da pirodiversidade on farm no Brasil.
O Sanctuary on the Moon é uma iniciativa internacional apoiada pela UNESCO e pela NASA que visa criar um arquivo de longa duração do patrimônio científico e cultural da Terra, depositado na superfície lunar. O projeto reúne cientistas, artistas, designers e pesquisadores de múltiplas disciplinas para produzir uma coleção de discos de safira gravados com imagens, diagramas e representações conceituais pensados para permanecer inteligíveis em escalas de tempo geológicas. Concebido como uma cápsula do tempo planetária, o arquivo busca preservar vestígios da vida na Terra — sua diversidade biológica, práticas culturais e conhecimento científico. Enquadrado como uma cosmopolítica do arquivo, o projeto levanta questões sobre os processos coletivos pelos quais a humanidade curadoria representações de si mesma e do mundo vivo para futuros desconhecidos.
O projeto tem como objetivo principal visibilizar as perspectivas quilombolas em relação à crise ambiental, evidenciando o papel da biodiversidade local — em especial a diversidade vegetal —, e de sua conservação para processos de construção de identidades, memórias, pertencimento e projeções de futuros, por meio da co-construção de narrativas e das perspectivas de futuro que elas revelam, em quilombos do Vale do Ribeira (SP), do Jalapão (TO) e da Serra do Espinhaço (MG). Para tal, pretende-se mediar a construção de narrativas sobre a biodiversidade dos biomas Mata Atlântica e Cerrado, por meio de processos de coprodução de conhecimento, em uma perspectiva dialógica, e desenvolver ferramentas metodológicas que sejam significativas para a multiplicidade de atores envolvidos (acadêmicos e não acadêmicos) e que fomentem a capacitação para a atuação transdisciplinar.
Publicações
Produção Audiovisual
Mídia
Reportagens, entrevistas, masterclasses,
palestras e textos de divulgação científica.
Rede de Pesquisa
Contato
Para convites de palestra, participação em bancas,
entrevistas e colaborações de pesquisa.